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Rumo a Felicidade

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Manhã linda de inverno, acordo disposta a aceitar todas as mudanças que batem a minha porta. Pego meu diário e começo passar todos os rascunhos a limpo, com letra bem legível e com alguns lembretes importantes para não esquecer. 

Faço uma seleção de músicas, entre elas algumas que marcaram minha vida, que inspiraram muitas palavras e embalaram muitas noites que suportei com alguns sentimentos. Salvei tudo dentro do mp3 e o coloquei junto com as diversas coisas espalhadas sobre minha cama.

Coloquei na velha mochila, com marcas da última viagem, algumas peças de roupas listadas como essenciais para o percurso que irei seguir. Como o tempo não decide realmente como quer ficar, peguei um pouco de tudo, lotando a pobre coitada que implora por aposentadoria.

Na bolsa de mão, minha companheira de sempre, aquela que registra todos os momentos que vivo e me faz voltar onde quer, mesmo que meus pés não me permitam. Um bloco de notas fica em um lugar acessível, juntamente com várias balas que irão adoçar os dias difíceis longe de casa.

Pego o celular, mando algumas mensagens deixando um "até logo" a todos e vou rumo a viagem mais complicada dos últimos anos, pra ser mais exata, dos últimos 22 anos. Não sei quando volto, por isso cada passo será tão difícil.

Vou rumo ao guichê para comprar minha passagem, enfrento aquela fila típica de final de semana. Quando chega minha vez a moça com voz forçada querendo ser simpática pergunta meu destino e eu digo com voz forte: "Rumo a Felicidade". Ela pergunta se é para uma pessoa, olho para os lados, dou de ombros e confirmo que sim.

Com a passagem na mão vou rumo ao box que encontra-se meu ônibus. Como de costume estou adiantada e pela primeira vez isso não me agrada. Por alguns segundos desejo não embarcar. Desejo não deixar quem eu gosto. Mas, quem está ali comigo para se despedir?

O velho relógio da rodoviária está diante do meu acento e noto quando os ponteiros vão rumo ao horário de partida. O motorista liga o ônibus, avisto pela janela alguns acenos e percebo que nenhum destinado a mim. Coloco o fone nos ouvidos e fecho os olhos com a intenção de enfrentar bem as longas 12 horas de viagem e chegar bem há Felicidade.

Papel, caneta e café, por favor?

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Manhã gélida de agosto, o vento anunciava que este seria mais um dia em que tudo permaneceria no exato lugar, mesmo com sua presença. Nada tinha a tal cor da felicidade, muito menos a do bom humor. Tudo se encaminhava para ser um dia qualquer, sem boas recordações ao final da noite.

Sai de casa, enfrentei aquela manhã e encaminhei-me para o lugar de todos os dias, a Lanchonete do Pia. Um senhor de 50 anos, com a total fisionomia do meu pai. Sentei-me e o próprio dono veio me receber, como de costume. Com um sorriso animador, ele perguntou se eu desejava o mesmo de toda a segunda (torrada e um copo d'água).

Pensei por instante e respondi:
- Hoje eu quero algo diferente Pia, podes me trazer papel, caneta e café, por favor?
Pia olhou-me com ar de espanto e gentilmente respondeu que sim.

Em poucos minutos eu continha entre os dedos uma caneta e a sua frente um papel que estava pronto pra receber qualquer desabafo, qualquer novidade, qualquer novo sonho. Eu estava com olhos que não procurem alguém no meio da multidão, enquanto meu coração não se aquecia, eu fugia de toda a temperatura através do café extra forte, sem nenhum pingo de adoçante.
                                           
Entre meus pensamentos, aqueles que o papel não suportaria a verdade, outros que eu não gostaria de lembrar. O coração cansado pulsava em seu ritmo costumeiro, tentando achar um refúgio para este momento. Tentei entre as músicas, entre as fotografias, entre as cartas, mas nada era capaz de amenizar tudo isso.

Parecia tão comum eu me sentir assim, mas isso tudo estava deixando de ser rotina para se tornar parte de mim. Eu não impedia a felicidade de chegar, muito menos a solidão de sair, eu tinha que libertar alguns sentimentos e abrir as portas para novos. Mas, cadê a coragem?

Perdi-me no tempo e sem sentir preenchi aquela folha com relatos surpreendente a mim mesma. Mas eu tinha outros compromissos além de me importar com meus sentimentos em pedaços. Dobrei a folha e a coloquei no bolso, com o desejo de não perde-lá, mas também de não reencontra-lá tão rápido.

Fui ao encontro de Pia para fazer o pagamento do que eu havia consumido e ele encontrava-se triste do outro lado do balcão. Estranhei em o ver assim, porque escolhi esse lugar pela sua alegria, por tudo que sinto quando estou aqui, mesmo que seja acompanhada de problemas.

Perguntei o que havia acontecido e Pia respondeu:
- Não houve absolutamente nada Alice.
Percebi a mentira através do seu olhar. Fiz o pagamento e dirigi-me a saída, mas algo dentro de mim me fazia voltar. Olhei para trás e aquela tristeza me consumia. Voltei, peguei um pedaço de papel e aquela caneta que me ajudou e coloquei na frente de Pia e disse:
- As palavras são um forte remédio, uma bela companhia e um bom refúgio. Escreva o que você sente, assim como eu faço. Seus problemas não sumirão, mas certamente irão diminuir.

Pia, agradeceu-me e então eu consegui partir, levando comigo aquele olhar triste que talvez carregue sofrimentos infinitos, problemas sem soluções e um coração sem concerto. E eu, tão egoísta ao me preocupar somente com os meus e fazer deles os maiores. Então aprendi que devemos sempre olhar para o lado e importar-se com quem realmente importa-se com a gente.

Sentimento desconhecido

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Típica noite de outono, lá fora uma fina brisa anunciava que já havia passado das vinte horas. Sobre minhas mãos meu diário antigo, uma caneta quase sem tinta e meus pensamentos mais uma vez em conflitos.
Já fazia mais de quarenta minutos que eu mantinha o mesmo embalo, naquela rede antiga que ficava na varanda.
Ao meu lado uma xícara de chocolate quente pela metade, que pelo tempo foi esfriado, assim como foi esfriado meu coração.
No céu raras estrelas mantinham o compromisso de iluminar a noite, raras, distantes umas das outras, por isso solitárias. Me sentia como elas, distante do que mais necessitava naquele momento, estando ali apenas para manter a rotina de todas as noites.
No MP3 tocava todas as músicas que faziam minhas lágrimas transbordarem e inundarem por completo meu rosto.Não adiantava dar pause, elas continuavam a tocar em meus pensamentos. Elas eram minhas únicas companhias e isso por mais estranho que fosse, me fazia bem.
Eu evitava qualquer contato com o mundo interno, fosse ele minha casa, meu quarto, minhas coisas pessoais, pois todas elas me traziam aquelas torturantes lembranças de você, de nós. 
A todo o momento eu imaginava você atravessando a rua e vindo em minha direção, com as mãos suadas e o coração aos pulos, errando cada palavra do seu pedido de perdão.
Sobre as mãos no rosto eu implorava para acordar daquele momento de ilusão. Você havia me deixado, sem nenhuma das duas respostas para minhas únicas perguntas. Acabou? Por quê?
O tempo havia passado, meses sem fins foram tornando aquele vazio dentro de mim ainda maior. 
Você era o cara perfeito, sim, perfeito. Não havia defeitos em você que eu não pudesse gostar e nem qualidades que eu pudesse enjoar. Era tudo, foi tudo, agora é nada. Pelo menos é isso que eu penso todos os dias, com a esperança que eu me acostume que o meu amor não foi o suficiente.
Saio da rede, renovada para mais um final de noite, já passa das vinte três horas e eu me sinto bem, mas uma vez as lágrimas foram meu melhor refugiu e os pensamentos meu consolo que tudo acabou verdadeiramente.
De hoje em diante não quero ninguém perfeito, quero alguém cheio de defeitos, igual a mim. Talvez assim, eu possa entender o outro pensando em mim primeiro.
Sem que eu pudesse notar, aqueles pensamentos tinham sido em voz alta.
Quando estou indo em direção a porta principal de minha casa, ouço passos naquela escuridão, no momento o receio de ser qualquer pessoa ruim e com má intenção fez meu corpo tremer de medo.
Apertei o passo, mas a porta parecida cada vez mais distante, ao colocar a mão sobre a maçaneta ouço meu nome sendo pronunciado da forma mais calma e mais carinhosa.
Ao virar-me meus olhos são deparados com olhos castanhos de uma intensidade que eu não conseguia suportar.
- Quem é você ? - pronuncio de forma agressiva.
- Prazer, eu sou um cara cheio de defeitos. - ele, um estranho respondeu.
- E o que eu tenho haver que você é um cara cheio de defeitos? - respondi ainda mais agressiva, mas muito incomodada com aquela presença.
- Desculpa, me chamo na verdade de Tierry. Sou seu novo vizinho e estou aqui desde a hora que você chegou na rede com os olhos já marejados e com um coração não suportando tamanho sofrimento e eu estou aqui pra te ajudar, pois acho que temos algo em comum.
Nenhuma palavra consegui pronunciar, ele já sabia de tudo que eu sentia.
Em segundos lá estava eu sobre os braços daquele desconhecido que sabia muito de mim e eu nada sabia sobre ele. Não sei o que havia acontecido, mas aquela atração, carinho, envolvimento era mais forte do que aqueles meus pensamentos.
Eu novamente chorei, mas agora eu tinha alguém para chorar comigo, talvez um novo amigo, um novo amor, somente uma certeza, de que era um sentimento desconhecido.

Um pedido, um sim, um só amor

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Era julho, para ser mais exata sete de julho de dois mil e dezessete. O frio e a chuva tornavam aquela pequena cidade onde eu morava ainda mais aconchegante, é estávamos na minha estação preferida, o inverno. Muitos quilômetros distante morava Henrique, o cara pelo qual eu havia me apaixonado alguns anos atrás, o homem que esteve presente nos mais difíceis e felizes momentos da minha vida, aquele que um dia eu jurei a mim mesma, amar sempre.
Meu telefone toca, do outro lado era ele, dizendo o quão imensa era a saudade e que enfrentaria a distância para vir me ver. Na hora nem acreditei, pois faltavam alguns dias para nos vermos novamente, mas a felicidade tomou conta do meu rosto ao saber daquela notícia.
O esperei por algumas horas até sua chegada, após isso a saudade ia diminuindo cada vez que eu olhava em seus olhos e sentia o calor da sua pele.
Henrique disse que o motivo que o fizera vir antes do planejado, era que ele tinha algo muito importante para me pedir. Fiquei imaginando o que era e enquanto isso, ele já estava pegando as chaves do carro, guarda-chuva e meu casaco.
- Onde vamos? Eu perguntei nervosa.
- Para um lugar importante, como a data de hoje. Ele respondeu com um brilho imenso nos olhos.
Passamos por algumas quadras, sempre na companhia da chuva que aos poucos ia se transformando em uma fina garoá.
Paramos, em um lugar pouco legível e Henrique com todo o seu carinho me beijou. E como se fosse a primeira vez, senti todas aquelas sensações inexplicáveis. 
De repente ele disse que precisava vendar meus olhos para podermos seguir para um lugar especial. Aceitei, mesmo estando completamente curiosa com o que estava acontecendo.
Saímos do carro, e ele me guiou para esse tal lugar. 
Ao chegarmos ele tirou a fita lilás que ofuscava totalmente minha visão.
Abri meus olhos e espiei em volta. Onde eu estava?
Sorrindo ele me perguntou:
- Lembra-se desse lugar Laura ?
Eu totalmente envergonhada pelo esquecimento momentâneo e muito emocionada, respondi.
- Sim, sei onde estamos amor.
Ele havia me levado até a ponte onde havíamos nos conhecido num dia como este, há exatamente sete anos atrás. Hoje totalmente reformada após o terrível temporal que havia a destruído alguns meses atrás.
Então, Henrique ajoelhou-se na minha frente, envolveu suas mãos nas minhas e falou:
- Sei o quanto tudo é complicado para nós Laura, a distância, a saudade de todas as noites e a vontade de termos sempre um a outro em todos os momentos. Não reclamo de viver assim, pois fomos escolhidos pelo amor para vivermos a tudo isso. Fomos reféns de um destino engraçado e cheio de surpresas, como está. Então não aguentando mais somente fazer planos, quero saber se aceita ser uma Castanhari daqui alguns, poucos meses ?
Eu não estava acreditando em nada, na verdade parecia mais um sonho de todas as noites, mas um plano escrito em meu diário, as lágrimas agora se confundiam com a chuva, que parecia chorar conosco. Apenas consegui abraça-lo e beija-lo forte, até conseguir recuperar as palavras.
Alguns segundos depois, com as lágrimas ainda se fazendo presente, olhei nos olhos de Henrique e respondi:
- Esperei por tanto tempo isso tudo, por tantos anos, em tantos sonhos, vivi e vivo contigo o melhor sentimento que em mim poderia existir. Tenho os melhores desejos, os mais incríveis planos e as melhores realizações, tudo com você, por você. Então, desejo sim ser uma Castanhari, desejo ser tua, como sempre tua, mulher.
A emoção do momento tomou conta de nós dois, e por mais que isso seja algo um pouco "fora da moda" para alguns, para nós não foi, não é. Toda mulher tem esse desejo, mesmo que muitas vezes escondido. Viver um amor, talvez pela vida toda, até os últimos dias, certamente será a melhor sensação, a melhor emoção, algo que desejo a qualquer coração.

Ao som de, Cut ♪ Plumb

O amor, seu tempo e suas marcas

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Uma vez uma linda menina, se viu deparada com o sentimento que mais machuca, que faz perder noites de sono, que a fazia suspirar do nada e levava seu coração ao extremo da ansiedade; quando ela fechava os olhos via somente uma imagem, a daquele homem que um dia a encantou!
O que ela sentia era amor, o mais lindo, puro e sincero amor.
Mas ela teve medo, medo de não sentir sempre aquilo, que um dia acabasse e ela não tivesse a oportunidade de dizer a ele o que sentia!
Foi então que o destino os colocou juntos e ela percebeu que o que sentia era mais forte, mais forte que ela mesma!
Ali nasceu uma grande amizade, só que não eram um sentimento de ambas as partes, porque nela ainda estava alojado o tal amor.
Ela seria capaz de deixar tudo, todos e ficar com ele. Mas ele não faria o mesmo por ela.
Seu próprio coração a enganou, pois ela achava que era correspondida. Ele tentava a fazer entender que talvez com o tempo ele pudesse amá-la e assim corresponder o que tanto ela queria. Foi sincero ao dizer que nunca sentira esse sentimento que ela tentava traduzir e que jamais tinha dito eu te amo antes, mesmo que fosse pra agradar alguém. Que gostava de sua companhia e que sentia sempre sua falta ao ficarem longe. Carinhosamente disse que não a amava ainda, que não era nem paixão o que sentia, era apenas um sentimento forte e que no momento não tinha nome.
O mundo dela desabou, pois seu próprio sentimento a iludiu, e ela não teve paciência de esperar, queria que ele a amasse momentaneamente e então não pensou nem duas vezes e cometeve o maior pecado tirou a própria vida. Acabou com seus sonhos, destruiu o amor mais verdadeiro que existira e o pior, não soube dar tempo ao tempo.
Ele não sabia o que fazer, pois ela já fazia parte de seu mundo, mesmo com seu jeito calmo de viver e de saber que tudo acontece quando tem que acontecer, ele não queria entender o porque dela ter feito tamanha destruição com seu coração.
Seus dias nunca seriam o mesmo, pois não teria mais junto de si aquela menina meiga, alegre, que atrás dos lindos olhos negros escondiam uma tristeza profunda, que ele sempre tentava apagar. Não teria mais junto de si a tal amiga, a mulher que ele confiava, aquela que fazia seu coração disparar, suas mãos suarem e seus pés não sentirem o chão.
Foi então que ele descobriu o que tanto ela queria, ele a amava... E ela acabou com tudo, só por ser ansiosa. Ele não queria se conformar com isso, e não acreditava que nunca tinha dito para aquela mulher o que tanto ela sonhou o verdadeiro, puro e sincero, "eu te amo".
Pela primeira vez em sua vida ele sentirá isso, e não poderia mais expressar esse sentimento. Daí veio o medo, a culpa, o arrependimento e a certeza, ele a amaria pra sempre, mesmo que nunca mais sentisse o sabor de sua boca, nem o calor de seu corpo.
Ele perdeu o amor que tanto esperou, ela perdeu a chance de ser realmente amada.

Moral da história:

O amor tem tempo próprio e não o tempo que você deseja que ele tenha. Saiba esperar, porque talvez em breve você entenderá cada linha, cada letra e cada vírgula da sua história e porque ela foi feita pra você.

A falta que ele me faz

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Estava começando uma das últimas noites de agosto, um mês muito estranho, onde eu me dividia entre sonhos e realizações, entre medos e coragens, entre um amor e a dúvida, não pela duvida do amor e sim do amor por mim.
         Às vezes me acho tão complicada, não queria na verdade estar escrevendo tudo isso, mas as palavras parecem fluir naturalmente e incrivelmente eu não consigo controlar mais esses pequenos dedos que já escreveram tanto. Meu rosto está parecido com aquele dia que eu me senti tão sozinha no meio de tanta gente, quando um alguém disse para eu ver minha própria imagem, e tão vergonhosamente não consegui, na minha mente imaginei como me viria e como estava sendo estranho para aquelas pessoas me verem daquela forma.
         Na minha cabeça passavam cenas de uma vida incompleta e que por mais que eu tente me esforçar, permanece assim, simplesmente incompleta. 
         Ao meu lado uma xícara de chá, vários livros que não terminei de ler, minha câmera lotada de fotos com as últimas boas recordações de um final de semana, pelo chão papeis dobrados, amassados, com frases mal escritas, uma florzinha que eu ganhei recentemente implorando para ser salva, meus olhos continuam inchados da noite passada, minha roupa amassada esconde meu corpo bastante fraco querendo reanimação, pelas paredes riscos que eu mesma fiz num momento de desespero, meu roupeiro antes tão bem organizado agora se encontra vazio, é, porque todas as roupas estão amarrotadas em um canto, por todas as vezes que a duvida bateu de qual vestir. Do meu som ecoa uma música muito familiar, algo que por mais melancólico que seja, é a única coisa que me anima, e eu não me importo se ela ta tocando há duas horas.
         Entre linhas deste texto eu deixo lágrimas caírem, as mesmas lágrimas que caem por minutos sem saber ainda o motivo certo. Lá de fora eu ouço o som da chuva que chegou sem avisar, peço que o vento que a acompanha leve junto todos os meus medos e que eu possa agora cessar esse coração que tão aflito se encontra. 
         Meu telefone toca, - mas eu nem sei onde ele se encontra. – eu o procuro rapidamente, mas quando eu o encontro já foi perdida a chamada do numero desconhecido, impossibilitando assim que eu saiba quem haveria de se importar comigo naquela hora. Ele toca novamente, eu atendo meia sem voz e pra minha grande surpresa era meu namorado me cobrando o porquê do sumiço. Incrivelmente espantada eu o deixei sem respostas, porque eu nem lembrava que tinha um namorado. Dei uma desculpa qualquer e marcamos um encontro para essa noite, mas eu não estava a fim de sair da minha casa, do meu canto, do meu quarto desarrumado e muito menos ver pessoas se divertindo e eu ali com aquela cara de que tudo um dia vai mudar, ou, eu um dia possa mudar em relação a isso. 
         Vou ao amontoado de roupas e acho um dos vestidos que havia ganhado de Ítalo no nosso ultimo aniversário de namoro, um lindo tomara que caía, na cor lilás, com detalhes em pedrinhas brilhosas, curto, mais curso agora naquele pequeno corpo. Pego também um casaco combinando. Escolho uma linda sandália que tinha comprado na ultima vez que me presenteei, meu par de brincos preferido, uma linda gargantilha presente de minha mãe, coloquei na cama juntamente com perfume ainda na caixa que havia ganhado em uma dessas promoções que você tem que escrever uma frase bonita, onde a frase ganhadora não tinha nada de bonita e sim, um relato de um coração que ainda tem esperança de ser salvo. 
         Deixei tudo pronto e fui para o banho. Quando a água tocou meu corpo eu tive uma reação desesperada, minhas lágrimas não se controlaram e parecia que queriam ser expulsas de uma vez só. Por minutos estive ali, só sentindo aquela sensação gostosa, meu corpo exausto daquele dia cansativo, de horas de auto-ajuda após o trabalho, foi se reanimando.
          Saio do banho e minha mãe está no meu quarto, ligeiramente sinto o que está por vir e já preparo meus ouvidos para não escutar tudo aquilo novamente. Ela fica ali por minutos reclamando, gritando e xingando, eu somente continuo a me arrumar como se ela não existisse, pois, às vezes, não tocar no assunto é a melhor coisa a fazer, eu sei o quanto minha distância machuca os outros, mas nada perto do sofrimento que a mim mesma causo.
Esperei minha mãe se retirar e coloquei o vestido, passei uma leve maquiagem, pus o perfume e por último minhas bijus. Arrumei meu cabelo com uma simples trança para lado direito e franja para o esquerdo. Por fim, consigo escutar alguma coisa que preste da boca daquele ser que me colocou no mundo, ela, aquela que eu trato por mãe  disse que Ítalo estava a me esperar.
         Ao chegar à sala lá estava ele, lindo, com aquele perfume que me hipnotizava, com aquele olhar que espantava qualquer tristeza e nos braços um lindo buquê de tulipas vermelhas. Óbvio que fiquei sem reação frente aquilo, e lentamente tentava me lembrar que dia era hoje, mas minha mente estava aos poucos retomando ao normal. Ele pegou minha mão e elogiando o belo vestido que eu vestia e mais ainda o gosto de quem me deu, disse que hoje ele não havia trazido algo para que eu usasse, mas sim para eu nunca esquecer. Foi então que me toquei que mais um vinte e dois havia chegado e eu tão cruelmente não me recordava. Uma mistura de ódio e nervosismo tomou conta de mim e eu não sabia o que fazer. Depois de alguns segundos estatizada, sorri e disse para ele que importante mesmo não é o presente e sim a lembrança da data, coisas essas que cruelmente eu tinha esquecido depois de alguns anos ao seu lado. Ele me deu um beijo demorado e aquilo foi capaz de apagar todos os péssimos pensamentos que ainda restavam em mim.
         Lembro-me que a nossa noite foi perfeita, perfeita como todas as outras ao seu lado. Acordei na casa dele, eu ainda sonolenta abri os olhos, olhei pro lado esquerdo e lá estava o dono de todos os meus melhores sentimentos, o homem pelo qual eu não era nada sem te-lo por perto. Fiz café da manhã pra nós, coisa rara, porque sempre isso era algo que ele fazia questão de sempre ser o comandante.
         Depois de termos saboreado, modestamente aquele delicioso café, Ítalo foi tomar banho. Foi em fração de segundos longe dele para que eu me tornasse aquela pessoa antes do jantar. As lagrimas voltaram e a falta que algo me fazia me corroia. Queria imediatamente sair dali, me esconder de tudo novamente. Foi o que fiz.
         Encontrei a agenda dele, abri na data e escrevi as seguintes palavras:
         “ Mais uma vez você conseguiu me surpreender, mais uma noite ao seu lado inesquecível, mas eu me torno fraca sem você por perto. Obrigada por mais um dia ao meu lado, por mais uma vez acordar com teu olhar junto aos meus, por saber que eu sou amada. Porém desculpa por todas as vezes que fraquejei, por todas as vezes que lutei sem esperanças. Agora eu vou partir, como da última vez, na esperança que você não demore para me encontrar, na esperança que sua imagem não desapareça de novo  dos meus olhos e que aquele calor não se apague do meu coração. Esperei você por toda a vida, esperarei você mais uma vez. Daquela que ainda não é completa, daquela que sente sua falta como nenhuma outra pessoa, daquela que sabe o que precisa para ser feliz.
                         Daquela menina que se esconde de si mesmo. Da Luna.”

Quero ser como você

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Para Sofia era difícil entender porque ela ainda era tão pequena e pouco sabia das coisas, porque tinha que ir para o quarto toda a vez que os adultos conversavam, porque não podia ver TV até tarde como sua irmã, porque não podia sair à noite como seu irmão.
Isso tudo estava perturbando demais aquela garotinha de apenas sete anos que mal sabia da vida e tudo que ainda tinha por passar.
Certo dia Sofia resolveu fazer algo que sempre foi proibida, entrar no quarto de sua irmã Sabine. Ao ficar diante do quarto ela pensou em não entrar, mas a curiosidade era imensa. Na porta tinha uma placa escrita “proibida à entrada de menores de 17 anos”, diante disso ela abriu a porta e entrou.
Não havia ninguém em casa com ela, além da babá. Seus pais estavam trabalhando e seus irmãos no colégio.
Ao entrar ela ficou chocada com tudo que via só o que pensou era que queria um quarto igualzinho aquele, com todas aquelas roupas e aqueles diversos sapatos. Ficou ainda mais perplexa ao ver os estojos de maquiagem e os inúmeros perfumes que Sabine continha. Cada parte que olhava ficava mais surpresa, não conseguia acreditar que sua irmã tinha computador, TV, som e aquele monte de roupas só pra ela. Não pensou duas vezes e resolveu ser Sabine por alguns minutos, mal ela sabia as broncas que iria receber.
Sentia-se linda com aquele vestido maior que ela, com as alças caindo no ombro. E ficou chocada ao descobrir que os peitos grandes da sua irmã eram de mentira. Mas mesmo assim, ela ainda desejava muito ser como Sabine. Colocou um sapato de salto muito alto, onde cabia mais dois pezinhos seus, mas ela não estava nem ai, queria mesmo era se divertir e descobrir como é bom ser adulta.
Resolveu desfilar pela casa com aquela vestimenta, como não pode com o vestido, resolveu tirar e colocar uma mini saia, pensando ela que não servia mais na sua irmã pelo tamanho minúsculo.
Desceu as escadas com muito cuidado, sem nem imaginar o risco que corria com aquela altura toda. Quando faltavam três degraus, a porta se abre e no susto Sofia escorrega caindo um grande tombo.
Ela não sabia se chorava por estar doendo seu pé ou por temer os puxões de orelha ao ver que quem havia chegado era Sabine.
Em meio às lágrimas ela disse:
- Por favor, maninha, não me bate, eu eu eu .. eu apenas estava brincando com suas roupas.
- Brincando com minhas roupas sua pirralha? Quantas vezes já disse para não entrar no meu quarto, não mexer nas minhas coisas e nem estragar nada. – Disse Sabine olhando para o salto quebrado do seu sapato.
         - Mas eu só queria saber como é ser assim, linda como você, só queria entender porque não podia entrar lá. Se existia algum bicho. – Respondeu Sofia chorando muito e com a mão sobre o pé.
         Ao perceber que a irmã não estava de fingimento Sabine a pegou no colo e levou até a varanda, colocou sobre o pezinho machucado compressas de gelo e ficou cuidando dela sem dizer uma palavra. Até que Sofia pergunta:
         - Você nunca teve curiosidade como eu tive?
         - Tive sim, e por isso estou quieta sem o direito de brigar com você, eu fiz a mesma coisa na tua idade, mas eram com as roupas da mamãe. Mas eu aprendi que tudo tem seu tempo e hoje sei como é a vida de um adulto e pode ter certeza maninha, quando você estiver com dezoito anos certamente irá querer voltar aos sete anos.
          Os olhos de Sofia agora sem lágrimas estavam espantados com o que a irmã havia falado, pois achava que ser adulto era perfeito.
         Sabine pegou Sofia da mão e disse:
         - Prometa que não vai mais usar minhas roupas? Prometa que não vai mais colocar meus sapatos e sair por ai? Pois você teve muita sorte de não ter quebrado o pé.
          - Sim eu prometo. Mas só se você tirar aquela placa ridícula da sua porta, ou colocar abaixo, “passagem liberada para Sofia”.
          Sabine não conseguiu conter as gargalhadas e disse que colocaria sim se a irmã não fizesse muita bagunça.
         Por fim, abraçada em sua irmã, Sofia disse:
         - Sabe mana, mesmo com meu pezinho machucado, eu ainda quero ser como você.
         - E mesmo eu imaginando que tu fizeste uma bagunça enorme no meu quarto, eu que queria ser como você. – Finaliza Sabine.


Apenas uma escolha

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E finalmente isso tudo chega ao fim, assim penso eu. Diante do meu espelho eu noto que as lágrimas fizeram marcas profundas no meu rosto, que os traços da tristeza são visíveis e que todas as noites sem dormir perturbam minha mente. Não consigo esconder de ninguém, nem de mim mesma que isso tudo esta me sufocando, que me prende a um passado que eu imploro todo dia para esquecer e o mais importante, que alguns esqueçam.
Pego minha mochila, coloco o essencial de roupas dentro, essencial por um tempo que eu não sei descrever, talvez um tempo pequeno ou um tempo pra sempre. Coloco dentro também minha câmera, alguns pertences significativos, algumas barras de cereais e só. Não quero lembrança nenhuma indo comigo, além das boas é claro, que irão sempre comigo.
Na mesinha de cabeceira está a passagem com destino certo, muitos quilômetros longe daqui. Na mente a certeza que meus problemas não se resolveram com a distância, mas que pelo menos terão uma oportunidade de não serem torturados mais.
No relógio eram exatamente 5h30min da madrugada de sábado de 2008, o horário certo de partir. Olho para o meu quarto pela última vez e tento controlar as lágrimas sei o quanto isso é torturador, pois também sei que tortura maior eu vivo aqui.
Dirijo-me a passos curtos e calmos pela casa, com a intenção de não acordar meus pais. Vou até a cozinha e lá deixo um bilhete, com palavras de despedidas, desabafos e desde já muitas saudades.
Ao sair da casa meus pensamentos ficam em conflitos, as lágrimas não são controláveis e o medo me acompanha.
Será que vão me odiar pelas escolhas que eu fiz?
Será que o certo é realmente sair daqui e mudar de vida?
Será que existe alguém que me ama mais que eles?
Sem nenhuma certeza eu sigo em frente, com meu coração apertado só de imaginar como meus pais irão reagir frente a todas as palavras e decisões que eu tomei sem questionar ninguém.
Chego ao meu destino, o ônibus já está quase partindo e então eu me apreço para não perder. Fico imaginando que isso seja um sinal para eu não ir ou que isso seja feito de uma vez. Ao embarcar no ônibus minhas pernas tremem só em imaginar que isso seja decisivo ou seja errado. É inevitável controlar os pensamentos negativos, mesmo os positivos estando sempre juntos.
Acomodei-me no banco ao lado da janela e ao partir o vento batia em meu rosto de forma que chegava a doer. O sol por sua vez estava querendo acordar e demonstrava através do calor que o dia seria longo.
Cada quilômetro que eu rodava algo se modificava em mim, ter uma vida nova sempre esteve nos meus planos, mas sozinha em uma cidade estranha começava a ser complicado, mas estava decidido, depois de tanto tempo consegui me decidir, eu não iria voltar atrás e quem sabe não voltar nunca mais.

Em minhas mãos

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Tudo começou tão diferente dos outros namoros, acho que minha relação com Brayan nunca foi um exemplo de perfeição ou pelo menos perto disso.Tínhamos tudo e nada haver um com o outro, ele era bipolar demais e eu impaciente demais pra esperar. Quando eu esperava um carinho, um aconchego ele vinha com grosserias e mal humor. Quando eu estava nem ai pra nada e querendo desistir dele, a coisa mudava e era nessas horas que eu não tinha coragem de deixá-lo.
Por mais que Brayan nunca tenha sido um namorado prestativo eu o amava, não sei por que e nem quando começou, mas tinha algo nele que me encantava profundamente, talvez fosse apenas o meu amor por ele. Tudo isso estava me cansando demais, me deixando triste demais, deixando todos de lado, inclusive eu mesma.
Queria poder viver tanta coisa ao lado do meu namorado, queria poder fazer planos sem ser contrariada, queria contar do meu dia sem ser criticada. Pensei que meu sentimento fosse capaz de suprir a falta que ele me faz, mas não foi e nunca será. As pessoas me aconselham e eu confesso que me sinto uma palhaça vivendo uma relação dessas, mas o que eu posso fazer? Deixá-lo? Já pensei inúmeras vezes, mas o meu coração sempre resolve as coisas por mim. Por mais que eu me esforce para ser tudo aquilo que eu gostaria que ele fosse, meu namorado se recusava a sequer lembrar do nosso aniversário de namoro. O único presente que eu ganhei dele em vinte e quatro meses juntos, foi um convite para o cinema, caso esse que aconteceu há muito tempo e gerou isso que acontece hoje, nós dois juntos, porém distantes.
Então uma ligação mudou tudo e me fez ter coragem e tentar me amar uma vez na vida.
Era na base de vinte horas, meu telefone toca, a ligação era restrita, eu pensando que era Brayan, atendi eufórica, mas somente ouvi:
- Não sou ele, mas sou quem está com ele. Você nunca foi amada, porque o amor que você queria, me pertencia e sempre irá me pertencer. Se você não acredita no que está ouvindo mais uma vez, venha ao apartamento dele, você encontrará todas as respostas que precisa.
Aquela voz era conhecida, mas na confusão dos meus pensamentos não consegui decifrar, apenas peguei minha bolsa e fui correndo conferir se tudo aquilo era verdade.
Pelo caminho as lágrimas já rolavam por imaginar a cena, ou o que eu iria ouvir, eu não conseguia acreditar nisso, mas tudo tinha nexo, tudo agora fazia sentido, ele só podia ter outra.
Ao chegar ao apartamento dele, minhas pernas trambolhavam de nervosismo, mal conseguia tirar a chave da bolsa. É porque eu iria bater e dar tempo de alguém se esconder, se eu tivesse que ver algo, seria na cara, na hora, sem mentiras mais.
Ao pegar a chave as dúvidas mais uma vez bateram e eu não sabia se estava agindo certo. Porém se eu entrasse e ele estivesse com alguém, eu iria enlouquecer. Se não tivesse ninguém eu iria enlouquecer também por ficar mais sem saber se é verdade ou não.
Com a chave em minhas mãos e com a cabeça a mil, tomei a decisão, abri a porta. Tudo tava escuro, só havia uma música baixa, fui direto ao quarto dele e pra minha grande decepção, meu namorado acompanhado. Aquela cena transformou a pessoa que existia em mim, der repente os meus olhos se abriram meu coração se clareou e minha mente enfim, entendeu tudo. Meu coração? Esse talvez nem tenha sido tocado, prefiro assim, antes de tudo consegui bloqueá-lo pra não sofrer mais.
Não consegui dizer nada, apenas olhei pra eles e aplaudi. Isso mesmo, aplaudi pelo show e agradeci por eles terem me libertado de algo que eu imaginava ser tão bom, mas que se tornou tão ruim pra mim.
Brayan visivelmente surpreso, tentou evitar minha saída, e gaguejando tentava encontrar uma explicação pra aquela cena horrorosa. E a pessoa que estava com ele me marcou profundamente, era uma colega de trabalho dele, que convivia demais conosco. Alguém que eu jamais suspeitaria. Enquanto Brayan gritava e implorava para que eu lhe escutasse, mesmo eu não emitindo palavra alguma, fui até Sofia, olhei nos seus olhos e com todas as minhas forças dei um tapa em sua cara, tapa esse que ela tentou revidar, mas não conseguiu. Brayan me agarrou e disse pra mim me controlar, quando viu o ódio existente em meus olhos ele me soltou, e naquele momento eu percebi que não valeria a pena me arriscar, fazendo algo que não me levaria a nada, apenas alimentar minha raiva. Mas com meu coração partido consegui dizer apenas:
- Obrigada por ter me impedindo de viver dois anos da minha vida. Obrigada por mentir, por enganar e por ser tão cruel. Sei que estava na minha frente que você não gostava de mim, mas teve coragem pra fazer isso e não teve coragem pra terminar comigo. A única coisa que eu te desejo é, azar, muito azar na tua vida.
Minha mão queimava de ódio e não consegui evitar outro tapa, mas esse foi pra me libertar de vez. Algo que eu já tinha que ter feito.
Não olhei nem um minuto pra trás e não derramei lágrima alguma na frente deles, apenas sai em silêncio.
Quando sai do prédio, respirei fundo e apartir dali comecei a me amar. Estava visivelmente triste com o que tinha acontecido, porém bastante aliviada em saber da verdade e não viver sendo usada.
De tudo isso descobri apenas uma coisa, que minha vida depende de mim, assim como minha felicidade, meus planos e minhas conquistas. Pessoa alguma, sendo amigos, namorado, pai e mãe, viverá a minha vida, apenas estará nela, ninguém irá sentir minhas dores e tomar as minhas decisões. Aprendi que tudo depende exclusivamente de mim e que meu destino sempre estará em minhas mãos, só basta eu abrir os olhos e seguir o caminho certo, assim como estou fazendo agora.

Sufocada pelas sombras daquela casa

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Tudo parece se repetir quando estou aqui, as mesmas dores, as mesmas lágrimas, os mesmos horários, os mesmos medos.
Quando ouço o relógio bater 18:30h eu sei que tudo começará novamente, é tão estranho eu não conseguir ter atitude frente a isso. Parece que simplesmente sou dominada por algo que eu jamais imaginei que seria, sinto aquele arrepio tomando conta do meu corpo, sinto o sangue pulsar em minhas veias num suplico para que eu consiga quem sabe dessa vez me controlar.
O céu fica escuro, e meu coração se fecha, quando eu sinto a primeira palavra ser jogada contra mim eu caio sem ter forças pra levantar.
Passo horas ali, sendo testada alguém que tinha que me conhecer mais que qualquer alguém, quisera eu saber o meu limite, mas quando tudo parece ficar calmo, eu não me reconheço e me transformo em algo ainda indecifrável.
As palavras arranham meu coração, me fazem simplesmente fechar os olhos, apertar os punhos, respirar fundo e tentar tirar de algum lugar a tal calma que todos me pedem. É impossível ter o controle frente a alguém que faz de tudo para que tua raiva seja solta, para que aquilo de ruim que existe dentro de ti seja colocado pra fora. E num grito de socorro eu peço que pare, pois minhas forças nunca serão o suficiente e eu sei que meu limite está logo a frente.
Me olho no espelho e não me reconheço, tento entender o porque me torno aquele alguém irreconhecível. O que mais me angustia é saber que é apenas eu, que a solidão é minha única companheira, e que se eu não fizer algo, meus dias serão sempre assim e minhas noites se resumirão a dor.
Naquele lugar eu vejo que não posso me esconder mais, as pessoas me tiram a privacidade de meus próprios pensamentos, eu não consigo respirar sozinha, preciso da autorização para que minha vida siga, dói é incomparável a dor de não poder dar um simples passo e dizer que estás livre.
Papéis de todas as formas me retratam, são cartas, são lembranças, são lágrimas secas que o tempo não conseguiu apagar, são pedidos de um simples coração que o que mais deseja é poder andar com suas próprias pernas. Sei que se eu custar mais um tempo eu vou estar me maltratando, mas ainda não consegui achar a força necessária pra tentar viver.
No relógio são exatamente 01:26h da manhã e eu ainda estou acordada, ainda ouço aqueles gritos que entram sem dó em meus ouvidos, atingindo meu coração. Tento me esconder no mais escuro do meu ser, sinto frio, sinto falta do que eu nunca tive, sinto saudade daquele alguém por perto, e nesse momento o abraço de meus amigos eu sei que me tirariam dali.
Encolhida sobre o tapete do meu quarto eu adormeço, sobre o meu travesseiro inundado de lágrimas eu sonho, vejo tudo aquilo que eu desejo. E quando noto o dia amanheceu, faz tempo que eu não sei o que é olhar pro céu, pra mim todos os dias são iguais, escuros, sem vida, sem sabor. Minha rotina me sufoca e eu desejo constantemente não pertencer a isso. Meu trabalho é algo que me distrai, e por incrível que parece é a hora que eu sei o que é viver. O dia passa rápido demais e quando me dou por conta, estou eu novamente nas sombras daquela casa. Talvez hoje eu esteja mais preparada do que ontem, talvez hoje eu saiba o que dizer e o que fazer, quando eu ouço a primeira palavra, as lágrimas caem numa mistura de angustia, medo e revolta.Estou eu aqui frente a frente comigo, sem saber o que fazer, apenas deixando que me acertem, que me machuquem e que façam o que for preciso, pois no final de tudo eu sei que será a mesma coisa, afinal são anos lutando contra algo que sempre me pareceu invencível.
Apenas quero ter forças o suficiente para fugir daqui, sinto que estou presa a um mundo que não me deixará viver, um mundo que me consome.
Só os quatro cantos do meu quarto sabem o que eu vivo, e no segredo mais profundo de meu ser eu sei o quão forte sou. Por mais que essa tortura não tenha fim, por mais que eu precise de alguém, pra tudo isso eu digo, que não tenho fim também.  

Rosas, como ela sempre quis.

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“O céu estava nublado,  meu coração partido.
Minha vida antes tão bela, agora tão sem sentido.
A notícia da  noite passada havia acabado comigo. (...)”

Era por volta das quatro da manhã, meu telefone tocava desesperado e eu pensando que era o despertador não atendi. Quando ele tocou pela quinta vez, eu então me dei por conta do que poderia estar acontecendo, atendi meio sonolenta, coisa que durou segundos até a ouvir a Natasha desesperada chorando dizendo, que “perdemos”.
Meu coração naquela hora parou, as lágrimas escoriam tão depressa quanto o meu pensamento que viajava em todos os momentos ao lado de Lara. Eu não queria acreditar, eu não podia acreditar aquilo tudo só poderia ser um dos meus piores pesadelos e aquela doença cruel não poderia ter tirado ela de todos nós.
Fiquei por minutos sem fim no meu quarto até amanhecer, minha mãe bateu a minha porta por volta das oito horas para me dar a notícia que eu já havia recebido.
Só o que eu conseguia dizer era que eu tinha perdido parte de mim e que isso estava doendo demais. Minha mãe tão carinhosa me abraçou tentando me consolar, mas nada e nem ninguém poderia fazer isso naquele momento. Ao olhar as diversas fotos com meus amigos, fotos essa que em todas Lara estava comigo, as lágrimas não pediam mais permissão para fugir.
No relógio eram onze horas, então tomei coragem para fazer o que tanto eu temia, eu tinha que ir me despedir da minha melhor amiga. Esse pensamento tão cruel me torturava por dentro e me fazia pensar que tudo isso era mentira. Após me arrumar, acompanhei meus pais até o funeral (essa palavra é horrível de escrever).
Por onde passávamos as lembranças tomavam conta de mim, a escola onde foi o começo da nossa amizade, o nosso ponto de encontro de todas as noites, a banca de jornal onde sempre comprávamos nossas revistas de moda, o parque onde passávamos a maioria das tardes, tirando fotos, colocando a fofoca em dia e unindo cada vez mais a amizade e enfim a banca de flores onde eu sempre comprava tulipas e Lara rosas, fazíamos isso toda a semana só pra nos agradarmos, lembro que ela dizia que isso era uma forma de suprirmos a falta que um namorado nos fazia. A dor voltava com toda a força quando eu lembrava que por dois meses isso não ocorria mais, por causa de sua internação no hospital e que agora eu teria que me contentar com a última vez que isso ocorreu.
Em um momento impulsivo pedi para meu pai estacionar o carro que eu queria descer, minha mãe ficou preocupada, mas eu disse que já voltava.
Desci do carro correndo e fui até a banca de flores, quando cheguei seu Antônio disse carinhosamente:
- Olá Júlia, tulipas como sempre?
Eu respondi ofegante e com os olhos inundados:
- Não seu Antônio hoje são rosas, como ela sempre quis.
Não bastou dizer mais nada, ele apenas me abraçou e disse que sentia muito pela minha perda e que ele sentiria a falta da menina das rosas.
Atravessei a rua com as flores na mão, fiquei ali parada esperando o sinal trocar. E a imagem de Lara ao meu lado rindo e chamando minha atenção veio à tona.
Entrei no carro e seguimos até nosso destino.
Quando chegamos lá meu coração doía cada vez mais, quanto abracei Natasha as únicas palavras que saíram da minha boca foram pedindo para ela não me deixar sozinha. Minha amiga prometeu nunca me abandonar e que Lara estaria sempre conosco.
Quando abracei a “Tia” Luzia nossas lágrimas se misturaram e nenhuma conseguia dizer uma palavra, foi que então ela perguntou se eu gostaria de falar algumas palavras e eu disse que queria me despedir de Lara.
Peguei um papelzinho amassado onde continha alguns trechos da minha dor.
Pedi a todos que me desculpassem se eu não conseguisse terminar, porque essa dor estava sendo maior que eu e então respirei fundo e comecei a dizer:
“O céu estava nublado, meu coração partido.
minha vida antes tão bela, agora tão sem sentido.
A notícia da noite passada havia acabado comigo.
Foram dez anos juntas de amor e cumplicidade,
Algo que eu nunca senti era a mais verdadeira amizade.
E a partir de hoje marcada para toda a eternidade.
Peço que minha dor não se demore a passar,
E espero, que um dia, possamos nos reencontrar,
E assim viver sorrindo e nunca mais nos separar.
Essa é a maneira que eu termino essa dolorosa despedida,
Com lágrimas dedicadas a uma amizade, registro tua partida,
E quero que você nunca esqueça, LAJUNA é além da vida.”
Com imenso amor de Júlia e Natasha, para Lara.
Após secar minhas lágrimas abracei demoradamente Natasha e ali diante do corpo de Lara sem vida, prometemos que teríamos uma a outra até o fim.
Fui embora com aquele vazio e a saudade tomando conta de cada parte do meu corpo, voltar para a minha realidade sem minha amiga seria tão doloroso quanto saber que talvez nunca mais a veria.

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